sexta-feira, 8 de abril de 2016

CARTA ABERTA DE CAMILO MORTÁGUA AOS COMPANHEIROS DO PCP


Carta aberta aos velhos companheiros do Partido Comunista Português, a propósito da rejeição pelo P.C.P. do voto de censura à condenação dos activistas angolanos.

Recordados companheiros de luta:

Sei que a minha idade deveria ser suficiente para me evitar surpresas amargas devidas ao comportamento dos Humanos, (sobretudo quando colectivas).

Normalmente aceito com relativa mas forçada compreensão que as gerações que nos sucederam e nunca sofreram na pele e na alma a frustrante raiva da impotência, face ao aviltamento imposto pelos usurpadores dos poderes dos Povos, adoptem atitudes branqueadoras, de comportamentos anti-democráticos quase sempre justificados com “legítimos interesses” a defender, sejam eles individuais ou de grupo.

Em essência, é a aplicação prática da velha e dizem que “sábia” regra de ser forte com os fracos e subserviente com os fortes.

Compreender, compreendo, mas não posso concordar, nem aceitar, nem sequer justificar com pretensas consequências maléficas das crises dos tempos.

Companheiros e camaradas de luta. Mais de luta que de ideologia. Que têm feito vocês? Que têm ensinado aos novos dirigentes do vosso partido, outrora internacionalista e solidário com as lutas dos oprimidos de todo o Mundo?

Sim Camaradas, porquê se apagaram tão depressa as vossas memórias?

Porque negaram os relatos das vossas experiências, aos jovens ou menos jovens que hoje falam em vosso nome?

Porque deixam calados os milhares de exemplos de homens e mulheres das mais diferentes nacionalidades, que estiveram ao nosso lado na luta pela nossa LIBERDADE, oferecendo tudo e até, em alguns casos, a sua própria liberdade e vida.

Estão de acordo em renegar esse passado? Estão de acordo em apagar da História das lutas pela dignidade Humana, os milhares de exemplos, de companheiros e camaradas, Comunistas, Socialistas, Democratas ou simplesmente Humanos, que a todos nós nos acolheram e por nós se manifestaram nas ruas das capitais da Europa e do Mundo?

Que moral é essa, que continua a ser manipulada para justificar o injustificável.

Será por uma questão de hábito?

As relações de absoluta dependência orgânica, material e estratégica, que caracterizaram o passado, não existindo no presente, não podem ser aceites como bodes expiatórios de comportamentos que denigrem e ofendem a memória dos companheiros internacionalistas (de todos os grupos) que tanto nos apoiaram. Hoje, quem vos condiciona, companheiros? Possivelmente… quem querem defender?!

Quando em vosso nome se proclama:

“- O P.C.P. reitera a sua consideração de que cabe às autoridades judiciais angolanas o tratamento deste ou de outros processos que recaiam no seu âmbito. A rejeição do presente voto por parte do P.C.P. emana da defesa da soberania da República de Angola e da objecção da tentativa de retirar do foro judicial uma questão que a ele compete esclarecer…”

- Então camaradas, é verdade ou mentira que: para serem coerentes com a vossa posição de hoje, em linguagem dos tempos áureos da vossa gloriosa luta contra a ditadura pró-fascista, vocês, em situação parecida com a actual ,diriam, qualquer coisa do género?:

- “O P.C.P: apela a todos os governos e povos democráticos de todo o Mundo para que em defesa da soberania da República Portuguesa não nos apoiem, nem interfiram na nossa luta pela liberdade e democracia. Favor não interferir com os métodos e decisões do sistema judicial português, nem denunciar internacionalmente a tortura e absoluto desrespeito pelos direitos fundamentais dos democratas portugueses que se opõem há ditadura.”

É companheiros… justificar os nossos compromissos, com os maus exemplos de outros, é coisa antiga, não pode fazer parte dos princípios orientadores duma nova maneira de fazer política.

Saudações solidárias
Camilo Mortágua
Abril de 2016

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

CONVERSAS CURTAS, EM TEMPOS INCERTOS


I

Manel: - Bom dia, António, como andas?...pareces em forma!
 

António: - Em forma, em forma… isso é maneira de dizer: se queres saber, eu ando é completamente atarantado! Esta pôrra nunca mais se esclarece! Caímos sempre na mesma! Tanto faz fazer eleições como não! Dizem que há maiorias de esquerda, mas os governos são sempre de direita.
 

- Homem, anima-te lá, que diabo de pessimismo é esse?
 

- Qual pessimismo, então tu não te dás conta da “embrulhada” em que mergulhou a política deste País? Isto já não é sequer uma embrulhada, é navegar à deriva, uma situação sem saída! Olha, uns analisam o resultado das eleições e dizem que a maioria é de esquerda, outros dizem o contrário, que é de direita!
 

Tudo porque o P.S. conforme os desejos de cada qual, tanto é julgado de direita como de esquerda, dum lado como do outro. Vá lá a gente saber quem tem razão? Uma coisa parece ser certa, o PS é a incógnita, o pomo da discórdia, o “cavalo do poder” que há vista da meta pode guinar para qualquer dos lados, mas tem o hábito de virar à direita.
 

- Oh! Manel, então tu não vês que para os líderes da esquerda, o PS é de direita, e, quando assim pensam, ficam em minoria e a ser Governados pela Direita?
E quando os Líderes da Direita se convencem com o que dizem os da esquerda e pensam ser donos do PS, dão por segura a sua maioria e sai-lhes o tiro pela culatra, o “cavalo” foge à tradição e guina para a esquerda.
 

Podes crer Manel, desde o 25 de Abril, andamos “ praqui”a treinar politicamente umas estratégias e uns sistemas de jogos preparatórios (uma espécie de amistosos de faz de conta) sempre com as mesmas equipas técnicas saídas daquele grande jogo do 25/04, até que um dia apareça (se aparecer) alguém com vontade de jogar a sério e resolva ou pareça resolver, sabe-se lá, esta incógnita do socialismo “passe-partout” .

II

- Que todos os Santos, deste mês de todos eles, te oiçam. Sabes, António, parece -me que, haja o que houver, caíram algumas máscaras! Começamos a ouvir uma linguagem mais vernácula, menos envernizada, uma linguagem mais compreensível porque mais popular. (Com a raiva nos dentes, até os engravatados vão parecer trabalhadores indignados) mas talvez digam mais claramente ao que andam, para que muitos mais percebam o seu jogo.

Tens razão Manel, a final parece que foi o excesso de “brilhozinho nos olhos” pelo gozo sentido pela direita ao aplicar-nos a tortura do seu poder absoluto, que gerou o acrescento de indignação necessário, para dar pragmatismo às esquerdas e a oportunidade ao “cavalo do poder” para desta vez olhar à esquerda, executando a guinada que talvez o salve duma morte anunciada.

Camilo Mortágua

domingo, 1 de novembro de 2015

Intervenção de Camilo Mortágua na apresentação do primeiro encontro inter-concelhio de apoiantes da candidatura de Sampaio da Nóvoa à Presidência da República


Companheiras e companheiros aqui presentes.

Como bem diz o nosso candidato,
Companheiras e companheiros deste combate, desta campanha para levar à Presidência da República, o Sampaio da Nóvoa.

Para eleger como Presidente da República, uma pessoa, que não é, nem será, apenas, mais um candidato, mais um Presidente!

Não e… não! Sampaio da Nóvoa não é a continuidade.

Sampaio da Nóvoa é a diferença, e a diferença consiste na Juventude, na alegria, na competência e na responsável honestidade que nos tem faltado, para poder viver neste País com orgulho e confiança no futuro. Sampaio da Nóvoa é diferente! Mas essa diferença, companheiras e companheiros, não é apenas de origem ideológica ou política, a diferença, em Sampaio da Nóvoa, vai muito para além disso, é a diferença da sua concepção sobre o que, e como, deve ser a existência solidária da vida dum ser humano em todas as suas dimensões. A diferença entre Sampaio da Nóvoa e as pessoas que habitualmente se candidatam, reside, fundamentalmente, entre o querer TER ou o querer SER.

Sampaio da Nóvoa, cidadão comum nascido sem privilégios sociais, sempre quis SER, lutou por SER, e nunca aceitou perverter a coerência do seu SER, para poder aumentar o seu património material.

Desde há muito tempo, que somos governados e representados por Homens tornados conhecidos pelos seus percursos no mundo dos negócios: Advogados, economistas, engenheiros, gestores e financeiros de todas as fileiras da economia, têm sido os mais frequentes ocupantes dos mais representativos cargos do Governo e da Nação... Neste País, onde ao fim e ao cabo, acabamos sempre por constatar que todas as deficiências da harmonia do nosso viver colectivo se devem aos baixos níveis de educação, eis que, contra todos os hábitos, surge um candidato internacionalmente prestigiado como especialista e homem dedicado e competente nas questões da educação pública.
Com Sampaio da Nóvoa na Presidência, anuncia-se o início do fim do ciclo promíscuo entre negócios e governação, entre interesses particulares e favores cúmplices, entre os negócios obscuros com interesses comuns ainda que realizados entre “barões” de partidos diferentes. Com Sampaio da Nóvoa na Presidência, não teremos uma presidência de pura esquerda, nem uma candidatura de esquerda pura. Mas, Com Sampaio da Nóvoa “Homem de coração e mente à esquerda” teremos um Homem capaz de defender a aplicação preferencial de princípios e políticas justas para o mundo trabalho em conformidade e em defesa dos legítimos interesses dos mais afectados pelas injustiças sociais.

Companheiras e companheiros, amigas, amigos e camaradas, Sampaio da Nóvoa é, indiscutivelmente, a grande oportunidade de começar a romper com os vícios do passado. A grande oportunidade que só alguns líderes partidários teimam em não querer ver, a oportunidade de, sem rupturas nem abandonos dos estritos conteúdos programáticos de cada organização, poder finalmente convergir, elegendo uma pessoa que, de momento é, sem dúvida, o maior denominador comum das diferentes esperanças dos que se sentem ofendidos e ameaçados na sua dignidade de cidadãos da Pátria Portuguesa.

Para mim, talvez seja esta a última oportunidade de ter mais um Presidente da República de quem me possa orgulhar. Por isso, ouso pedir-vos convictamente, e independentemente de todos os calculismos sobre os possíveis resultados, que nos empenhemos ao máximo das nossas possibilidades, neste combate de justa causa.

Camilo Mortágua Beja, 31 Outubro 2015
Intervenção de Camilo Mortágua
Na apresentação do primeiro encontro inter-concelhio de apoiantes da candidatura de Sampaio da Nóvoa à Presidência da República

quarta-feira, 29 de julho de 2015

A ESPIRAL RECESSIVA

Tão inevitável como a morte?

A concentração do capital, facilita, estimula e permite, comprar a concentração do poder político.

O poder político, (também o pseudo-democrático) adquirido pelos donos do capital, é usado como arma suprema contra quem vive do seu trabalho.

Os donos do capital, para defender os seus interesses, passaram a preferir as armas “democráticas.” Aquelas que sem prender formalmente as pessoas por delitos de opinião, até lhes permite eleger os seus representantes, desde que os escolhidos sejam quem eles querem e em quem confiam.

As vias democráticas para impor os interesses do capital e sujeitar quem trabalha às suas leis, começam a ser demasiado óbvias e perceptíveis aos olhos das vítimas e, por isso, mais uma vez, os capitalistas pressentem o perigo e cerram fileiras em defesa dos seus privilégios, daí a propalada ostentação de firmeza e cega irredutibilidade na decisão de querer arrebanhar, custe o que custar, o dinheiro que semearam nas grandes sementeiras da especulação, feitas em “terras de reduzida fertilidade”.

Nervosos, perante as ténues ameaças que o futuro desenha, “reagem à capitalista”e não resistirão à tentação de recorrer à força das armas e da repressão generalizada, para tentar “controlar à nascença” as tempestades sociais que as suas humilhações provocaram.
Ilusão!

Aos Homens, Aos Países, às Comunidades Humanas, às Sociedades Nacionais ou supra-nacionais, nada as empurra mais irracionalmente para a voracidade incontrolável da Guerra do que a Humilhação. Pelos vistos, para lá caminhamos de novo!

E a partir do momento em que a Espiral Repressiva do Capitalismo sinta de novo a necessidade de abandonar a capa sacrossanta da camuflagem democrática, privando-nos também das liberdades formais… aí, (demasiado tarde?) contra a violência despida de cinismos, toda a violência revolucionária será de novo legítima, desta vês à escala da Europa, tem der ser. Aí, disso não tenho dúvidas, o Povo português, a sua juventude, estarão de novo dispostos a sacrificar as vidas, para chegar de novo à Av. da LIBERDADE.

É imperioso obrigar os capitalistas (os lobos) a despirem os seus disfarces de cordeiros.

Desengane-se quem avilta a dignidade humana. Mais segura, tranquila e feliz é a vida duma família socialmente solidária, que a vida duma família muito rica de património conseguido à custa da miséria alheia.

Camilo Mortágua
(Julho de 2015)

segunda-feira, 6 de julho de 2015

AS SIMPLES EVIDÊNCIAS DA TRAGÉDIA GREGA



Esclarecimento:
Entendemos por “simples evidências” as questões que pensamos serem de compreensão razoavelmente consensual entre diferentes “analistas opinadores” da questão grega.

Primeira evidência:
Até 25 de Fevereiro de 2015, data da eleição do Syriza. Os dirigentes da União Europeia entregaram aos diferentes Governos eleitos pela Grécia, Governos ditos socialistas ou aparentados (mas na sua prática política, fieis defensores de políticas favoráveis ás poderosas e incontroladas oligarquias financeiras e capitalistas do país) a totalidade do dinheiro que gerou a monstruosa dívida que deu origem à aplicação das medidas de austeridade que incitaram o povo grego a votar no Syriza na esperança de que um partido de esquerda pudesse estancar a hemorragia da corrupção interna e (pelo menos) conseguisse suavizar a dura austeridade, convencendo os prestamistas da Europa da impossibilidade de pagar nos prazos e condições exigidas, sem afectar gravemente a própria capacidade do País para poder ir gerando riqueza para pagar dívidas.

Segunda evidência:
Face à eleição de um governo anti-capitalista, os prestamistas da UE julgando estar a defender os seus interesses…disseram; – alto lá, não se pode permitir que estes “jovens inexperientes de esquerda” logrem o menor sucesso para os seus intentos, se isso acontecer, todos os actuais e próximos governos dos estados membros da união que nos apoiam, ficam em dificuldades perante as oposições de esquerda. Por outro lado… nós os que vivemos de emprestar, não podemos correr o risco de ficar sem clientes, que é o que acontecerá se permitirmos que nos paguem “quando puderem” sem precisar de voltar a pedir emprestado!
Quem paga, tem que necessitar voltar a pedir, se não lá se vai o negócio!

Terceira evidência:
Os povos da Europa, a começar pelo Grego e as esquerdas europeias, ainda não compreenderam a verdadeira natureza dos sentimentos e maneiras de ser dos capitalistas e do capitalismo, admitindo incoerentemente que estes “também são humanos”e, portanto, susceptíveis de uma “boa acção”!

Quarta evidência:
Lograr que a tragédia grega possa - ser mais um passo para o lento esclarecimento da desumana coerência do capitalismo como doutrina social para a Paz e harmoniosa governação da Humanidade -, é o melhor dos resultados a esperar de cada acção.
PARA a esquerda solidária e anti-capitalista, o importante é dispor de oportunidades para lutar e demonstrar ao Mundo, quem são e como agem infalivelmente os acumuladores de capital, os defensores do Capitalismo.

A nossa solidariedade é com as lutas, sem dependências dos resultados. Sem dependências das hipotéticas boas vontades dos capitalistas.
Não podemos depender de tácticos resultados circunstanciais, porque dependemos, queiramos ou não, do avanço da compreensão dos povos, sobre as razões dos capitalistas para serem nossos inimigos.
Só compreendendo-os como realmente são, será possível vencê-los democraticamente.  

Camilo Mortágua

sábado, 6 de junho de 2015

ENQUANTO O J.J. E O B.C., POR LÁ MANDAREM



ALVALADE   NÃO !

Sou sportinguista desde os meus 8 anos, desde a rua do Passadiço, já lá vão umas oito décadas bem contadas. Pertenço à Direcção de uma Associação, Mares Navegados, que era membro consultivo da C.P.L.P. e abandonou a sua colaboração com essa Instituição a partir da entrada da Torcionária Guiné Equatorial naquela organização dita “ – dos Povos de língua Portuguesa!)

Até hoje, perdendo ou ganhando, sempre me senti orgulhoso do meu Sporting, de quem fui associado nos anos 40 do século passado, até que a emigração me levou para paragens longínquas.

Hoje, dou por mim extremamente envergonhado de ser visto como apoiante de criaturas que, pelos seus actos, não devem merecer a honra de fazer parte da História deste clube!

Nego-me a correr o risco de vir a ser um campeão à custa dos dinheiros (Segundo se diz) provenientes da desumana exploração e repressão do Povo da Guiné Equatorial. Que esse dinheiro seja necessário para pagar Jesus, (parece que ao longo da história sempre assim foi… – “ a quem aproveita o crime ?”), porque dele virão muitos títulos que muito irão agradar “à massa associativa” e prestigiar quem governa, isso poderá ser motivo de alegria para muitos, para muitos outros; mas, para mim, isso é uma profunda e inadmissível vergonha, cancro maligno que se assolapa num organismo que se pretendia são!

Que para poder realizar esta imoral acção, tenham que aviltar a honra, de quem parece ter dado ao Sporting genuína e honesta dedicação, é duplicar o despudor das afrontas e os efeitos desastrosos da mais absoluta revelação de total falta de princípios.

Cá por mim, dispensaria bem a ajuda deste Jesus materialista e seus ensanguentados capitais, preferindo ver o meu Sporting numa qualquer divisão inferior do futebol, mas orgulhosamente campeão de relações humanas e desportivas, baseadas em princípios e valores que a todos nos dignifiquem.

Só nós sabemos porque, enquanto lá estiverem os vampiros, não vamos mais a Alvalade?

Camilo Mortágua

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Dias Loureiro



OU O RAPAZ É MUITO ESPERTO
OU OS PROFISSIONAIS DA POLÍTICA E DA COMUNICAÇÃO SOCIAL
SÃO OBJECTIVAMENTE CÚMPLICES!

Olá…ainda bem que o vejo !   Diga lá caro amigo, - está melhor? Tem seguido os meus conselhos?
- tenho sim, Senhor Doutor. – Então já não mija na cama? – Há bem… sabe  …lá mijar…mijo, mas já não me importo, nem eu nem ninguém lá de casa, já se habituaram.

Esta é a história que recorrentemente me vem à memória de há dias a esta parte

O nosso primeiro ministro, também já não se importa… pode elogiar publicamente um amigo corrupto e comprovadamente mentiroso, vergonha e mau exemplo da classe política, apontando-o aos portugueses como exemplo de bom gestor, que também  não  só já não se importa de ser visto em más companhias, como ainda
se dá ao cuidado de chamar a atenção pública para o facto.

A sua grande paixão pelas frias culturas do norte, apagou-lhe da memória o sentido de um dos mais populares adágios da nossa cultura! – “diz-me com quem Andas, digo-te quem és.”

E desta vez, oh… incomensurável coisa nenhuma, não se tratou de ninguém da oposição, foi ele próprio que decidiu demonstrar-nos que já pode ser sincero e confessar o inconfessável, porque já não nos importamos. Já nos habituamos? – Eu não!

Louvou o seu amigo Dias Loureiro, incitou os portugueses a seguir-lhe o exemplo, e não aconteceu nada, ou quase nada! Por assuntos muitíssimo menos importantes já os comentadores de serviço e competentes analistas da nossa praça, têm tido com outra veemência reacções bem mais audíveis.

O Rapaz, logo que se deu conta da imensa escorregadela para o que poderia ser um abismo, com a esperteza  de aprendiz de feiticeiro que lhe é peculiar, atirou cá para fora umas “memórias” com algumas gotas corrosivas sobre a sua própria coligação, que atraiu as atenções gerais dos “comunicadores”. Como cachorrinhos dependentes de bons tratos, fomos todos atirar-nos ao osso, desviando-nos completamente do “bom pedaço” “Dias Loureiro”. E pronto…já estamos habituados?

Valham-nos os supremos juízes do bem e do mal, se algum dia se conseguirem entender!

Camilo Mortágua